Praça Saens Peña: Mais de um Século como o Coração da Tijuca

Praça Saens Peña: Mais de um Século como o Coração da Tijuca

Publicado em 04/04/2026 | 12 leituras

A Praça Saens Peña é, sem dúvida, o coração da Tijuca, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro. Mais do que um simples logradouro, ela é um marco histórico, um ponto de encontro afetivo e o principal centro comercial e social da região . Sua história de mais de um século acompanha a própria evolução da cidade, transformando-se de um largo rural em um movimentado hub urbano.

Das Chitas aos Presidentes: A Origem do Nome e do Lugar
Antes de ser a praça movimentada que conhecemos hoje, a área onde ela se situa tinha um cenário completamente diferente. Até meados do século XIX, a Tijuca era uma região essencialmente rural, composta por chácaras e fazendas de café . Foi nesse período, mais precisamente na década de 1820, que se instalou nas proximidades uma estamparia que manufaturava tecidos indianos, considerada uma das primeiras indústrias do país. A fábrica ficou tão conhecida que o entroncamento de caminhos onde ela se localizava passou a ser chamado de Largo da Fábrica de Chitas .

Esse nome perdurou por décadas, até que, em 1911, o largo foi oficialmente rebatizado como Praça Sáenz Peña. A homenagem foi direcionada aos ex-presidentes argentinos Luis Sáenz Peña (que governou de 1892 a 1895) e seu filho, Roque Sáenz Peña (presidente de 1910 a 1914), num gesto de aproximação diplomática entre Brasil e Argentina . A partir de então, a praça foi inaugurada com um projeto paisagístico de inspiração francesa e um coreto, tornando-se um espaço de convivência para os moradores .

O Primeiro Subcentro de Elite do Rio
Na primeira metade do século XX, a Praça Saens Peña experimentou seu período de maior glamour e efervescência cultural. Segundo o arquiteto e urbanista Flávio Villaça, ela é considerada o primeiro subcentro voltado para as classes de alta renda a surgir no Rio de Janeiro, e o segundo no Brasil . Isso significa que, antes de bairros como Copacabana, a Tijuca já possuía um centro comercial e de serviços capaz de rivalizar com o Centro da cidade, atraindo lojas sofisticadas, consultórios e opções de lazer para a elite que ali residia .

O grande símbolo desse período áureo foi a impressionante concentração de cinemas. A região da praça chegou a ter um número tão expressivo de salas que ganhou o apelido de "Cinelândia da Tijuca" . Entre os cinemas mais famosos estavam o Cine Metro Tijuca, com sua fachada tipicamente norte-americana, e o Cine Olinda, que chegou a ser considerado o maior da América Latina . As famílias lotavam as sessões e, nos intervalos, encontravam-se no sofisticado Café Palheta, um point que existiu até o início dos anos 2000 . Aos domingos, as apresentações da banda marcial no coreto completavam o cenário de uma vida boêmia e cultural intensa .

A Chegada do Metrô e as Transformações Urbanas
A partir da década de 1970, a praça começou a passar por profundas transformações. O primeiro grande golpe foi o gradual fechamento dos cinemas. O Cine Metro, por exemplo, fechou as portas em 1976 para dar lugar a uma loja da C&A . No terreno do antigo Cine Olinda, foi erguido o edifício do Shopping 45 .

No entanto, o evento que mais marcou a paisagem e a dinâmica da praça nas décadas seguintes foi o início das obras de construção da estação de metrô, em 1976 . Por um longo período, a praça ficou reduzida a um enorme canteiro de obras, o que impactou negativamente o comércio local e a qualidade de vida na região . A estação Saens Peña / Tijuca só seria inaugurada em 1982, integrando definitivamente o bairro à malha metroviária da cidade e aumentando ainda mais o fluxo de pessoas . Nas décadas de 1990 e 2000, a praça passou por reformas que incluíram a instalação de grades e portões, posteriormente removidos em 2011 numa tentativa de torná-la mais integrada e acolhedora .

A Praça Hoje: Encontro, Comércio e Lazer
Atualmente, a Praça Saens Peña continua sendo o vibrante centro nevrálgico da Tijuca. É um espaço democrático que abriga diferentes públicos e atividades ao longo do dia e da semana.

Pela manhã, é comum ver grupos de idosos realizando atividades físicas ou jogando cartas nas mesas cobertas . Durante a semana, o movimento é intenso de quem passa a caminho do trabalho, das compras ou utilizando o metrô, que conta com seis acessos espalhados pelo entorno . Às sextas-feiras e sábados, a tradicional feirinha de artesanato toma conta da praça, com dezenas de barracas que vendem de tudo, desde roupas e artigos de decoração até pequenos presentes . Aos fins de semana, a praça também se torna um ponto de lazer para as famílias, com brinquedos para as crianças.

Apesar das inúmeras mudanças, a memória afetiva dos tijucanos permanece viva. A estátua em bronze do radioginasta Oswaldo Diniz Magalhães, um morador da Tijuca que ficou famoso por suas aulas de ginástica pelo rádio, é um símbolo dessa ligação com o passado e está na praça desde a década de 1950 . Comentários de moradores em redes sociais revelam a saudade de uma época em que a praça era ainda mais tranquila e o comércio de rua era sinônimo de sofisticação, com lojas como Mesbla e Sears .

Conclusão
A trajetória da Praça Saens Peña é um reflexo da própria história urbana do Rio de Janeiro. Do Largo da Fábrica de Chitas ao status de primeiro subcentro de elite; da Cinelândia Tijucana ao canteiro de obras do metrô; e, finalmente, à sua resiliência como principal ponto de encontro do bairro, a praça se reinventou sem perder sua essência. Ela segue firme como um patrimônio histórico e afetivo, provando que, para o tijucano, passar pela Saens Peña é, antes de tudo, reencontrar um pedaço da própria história.

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